Lugares e memórias

De Nunes Forte
Revisão em 16h48min de 16 de agosto de 2026 por NunesForte (discussão | contribuições)
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Ida para Lisboa na adolescência. Viveu na Rua Penha de França e mais tarde no Bairro S. Miguel / Entrecampos

SERRALHEIRO MECÂNICO

Desse tempo, recorda-se Nunes Forte, do dia em que rumou a Lisboa de uma frase de seu Pai:

“Vamos para Lisboa mas é para estudares e trabalhares numa profissão a sério pois isso de ser actor é muito bonito, é muito bonito, mas não te garante um emprego para toda a vida"

Remata:

É que naqueles tempos havia, de facto, empregos para toda a vida

Tendo determinado seu Pai:

Vais ser serralheiro mecânico, que é uma profissão de futuro!

Foi então como aprendiz de serralheiro para uma oficina do seu tio, António Teixeira, no Bairro S. Miguel, e meses depois com o mesmo estatuto para a Mocar, representante da Alfa Romeo e da Peugeot em Portugal, tendo-se matriculado no Curso nocturno de Serralheiro Mecânico na Escola Industrial Machado de Castro.

Com o andar dos tempos conseguiu negociar com o seu pai:

“Prometo manter as boas notas e continuar na profissão séria se nos meus tempos livres me deixar fazer Teatro!”

Pelo que após alguma ponderação, o Pai acabou por concordar:

Pronto está bem, faz lá o que quiseres nos tempos livres, desde que não falhes na Escola, nem faltes no trabalho”

Prometeu e cumpriu, apesar de algumas directas por causa do Teatro e da Rádio que já andava por ali a borbulhar, tendo mesmo conseguido figurar no "Quadro de Honra" na Machado de Castro como resultado de muita aplicação, para que não houvesse problemas lá em casa e pudesse seguir os seus sonhos.


O Teatro

Na Escola Industrial Machado de Castro através da amizade que estabeleceu com Santos Teixeira, colega de turma, verificou que comungavam do mesmo sonho artístico, pelo que este o convidou a estabelecer contacto com uma Companhia de Teatro Amador, na qual estava integrado e ia levar à cena, no Cine-Teatro de Alverca, a Revista “Tá bem....Dêxa”.

Não era bem aquilo que procurava, até porque não tinha, segundo o próprio, aptidões para cantar nem para dançar, mas tudo se arranjou, assim como o necessário nome artístico que passou a ser, até hoje, Nunes Forte.

A partir dali não mais parou, inicialmente como amador com representações em Alverca, Loures e Lisboa, destacando-se a peça “O Cavalinho Azul”, na qual foi o protagonista, representada no Teatro Monumental, com encenação da Dra. Maria Barroso, num espectáculo do Colégio Moderno, contudo, após alguma experiência acumulada eis que surgem algumas oportunidades no campo profissional, nomeadamente na Companhia de Teatro do Gerifalto, no Teatro Trindade, tendo algumas das peças ali representadas sido motivo de transmissão televisiva em directo através da RTP, das quais salientamos “O Valente Gondalim”, “A Princesa Que Guardava Patos”, “O Gato das Botas”, entre outras.

Ainda no Trindade, mas agora inserido na Companhia Nacional de Teatro, é a vez da sua participação na peça “O Jogo das Trapaças”. Entretanto, no Teatro Monumental, pela mão de Vasco Morgado (pai), entrou na peça “Heidi”.